Apóstolo
Paulo, patrono dos Cursilhos de Cristandade
No dia 14 de Dezembro de 1963, num breve
pontifício, ainda no primeiro ano do seu Pontificado,
o Papa Paulo VI, declarou o Apóstolo São Paulo
patrono celestial dos Cursilhos de Cristandade, "com
todas as honras e privilégios litúrgicos devidos
a tal título".
A 8 de Dezembro de 1965 encerrou o Concílio Vaticano
II, que veio dar um importantíssimo impulso ao programa
do Cursilho, especialmente através da "Lumen
Gentium" e da "Gaudium et Spes", que definiram
e particularizaram o lugar e a missão do leigo na
Igreja. E, a 28 de Maio de 1966 realizou-se a I Ultreia
Mundial, em Roma, onde o Papa Paulo VI, numa alocução
a todos os títulos inesquecível, consagrou
ao mundo o programa dos Cursilhos de Cristandade, considerando-os
como "palavra acrisolada na experiência, acreditada
em seus frutos, que hoje percorre com carta de cidadania
os caminhos do mundo".
A HISTÓRIA DE SÃO PAULO
O CONVERTIDO FERVOROSO: DOS 28 AOS 41 ANOS DE IDADE
1. Queda na estrada de Damasco
É importante lembrar que Paulo não caiu do
cavalo como costumeiramente falamos. Estava com 28 anos
de idade, tinha poder e prestígio. Em nome do Sinédrio
liderava a perseguição contra os cristãos.
Em At 9,1-2; 26,9-12, ele pede licença para persegui-los
até em Damasco da Síria (200 km de distância)
– sete dias de viagem. No caminho acontece algo novo:
Paulo cai por terra e ouve uma voz: “SAULO, SAULO,
PORQUE ME PERSEGUES?” (At 9,4). Paulo estava perseguindo
a comunidade. Jesus se identifica com a comunidade. Coloca-se
ao lado do perseguido, desaprova o perseguidor. Estava sozinho,
sem rumo, perdido no meio do caminho.
A queda na estrada de Damasco
foi o divisor das águas: aqui a vida de Paulo se
divide em ANTES e DEPOIS. A entrada de Jesus em sua vida
não foi pacífica, mas uma tempestade violenta.
2. Algumas imagens
A Bíblia usa algumas imagens para descrever o que
aconteceu: duas de Lucas para sugerir a semelhança
entre Paulo e os Profetas, e duas do próprio Paulo.
a) QUEDA: Deus não pediu licença: entrou e
o derrubou (At 9,4; 22,7; 26,14). Caído no chão,
ele se entrega. O caçador foi alcançado.
b) CEGO: uma luz o envolveu (At 9,3). Luz tão forte
que ele ficou cego por três dias, sem comer e nem
beber (At 9,8-9). São três dias de escuridão,
de morte que antecedeu à ressurreição.
O líder teve que ser conduzido pela mão dos
seus liderados (At 9,8). Paulo só começou
a enxergar quando Ananias impôs as mãos e disse:
“SAULO, MEU IRMÃO!” (At 9,18). Ressuscitou
no exato momento em que foi acolhido na comunidade como
IRMÃO. Morreu o perseguidor, ressuscitou o profeta.
c) ABORTO: “POR ÚLTIMO, JESUS APARECEU A MIM,
QUE SOU UM ABORTO” (I Cor 15,8). O seu nascimento
para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de
maneira forçada. Paulo foi arrancado do seu mundo,
como se arranca uma criança do seio de sua mãe
por meio de uma operação.
d) “FUI APANHADO”: “PROCURO APANHÁ-LO,
ASSIM COMO EU MESMO FUI APANHADO POR ELE” (Fl 3,12)
Queda, cegueira, aborto.
Estas imagens sugerem a ruptura que houve, revelam o fracasso
do sistema em que ele vivia. Apareceu o NADA de Paulo, de
onde vai nascer o TUDO de Deus! “SEM MIM NADA PODEIS
FAZER” (Jo 15,5). “TUDO POSSO NAQUELE QUE ME
FORTALECE” (Fl 4,13)
3. Ruptura e continuidade
a) RUPTURA: quebrou tudo: o ideal que ele alimentava na
vida; a observância que fazia da Lei; o seu esforço
de conquistar a justiça e chegar até Deus.
Desmoronou o mundo em que ele vivia. No momento da ruptura
reapareceu o rosto de Deus. O Deus de ANTES estava com ele
DEPOIS. Deus, maior que a ruptura, fez a continuidade.
Na estrada de Damasco, Paulo
recebeu sem nenhum esforço, o que durante 28 anos
não tinha conseguido alcançar: a certeza de
que Deus o ACOLHIA e o JUSTIFICAVA (Rm 3,19-24).
Deus lhe mostrou o seu amor,
quando ele, estava sendo “blasfemo, perseguidor e
insolente” (1 Tm 1,13; 1 Cor 15,9). A graça
foi maior que o pecado. Agora, Paulo, só confia naquilo
que Deus faz por ele. Já não coloca sua segurança
na observância da lei, mas sim no amor a Deus por
ele (Gl 2,20-21; Rm 3,21-26).
b) GRATUIDADE: esta foi a marca da experiência de
Paulo na estrada de Damasco, que renovou por dentro todo
o seu relacionamento com Deus.
A experiência da gratuidade
do amor a Deus vai dar rumo à vida de Paulo e vai
sustentá-lo nas crises que virão. Antes, Paulo
olhava para Deus, lá distante, e procurava alcançá-lo
através da observância da lei e da tradição
dos antigos; pensava só em sim mesmo e em sua própria
justificação. Agora, sentindo-se acolhido
e justificado por Deus, já podia esquecer-se de si
e da sua própria justificação para
pensar só nos outros e servi-los através da
prática do amor “QUE É A PLENITUDE DA
LEI (Rm 3,10; Gl 5,14).
A conversão para Cristo
significou uma mudança profunda na vida de Paulo.
Foi sempre fiel a Deus e ao povo. Tornando-se cristão
não estava deixando de ser judeu. Foi a vontade de
ser fiel às esperanças do seu povo que o levou
a aceitar Jesus como Messias. Reconheceu em Jesus o SIM
de Deus e às promessas feitas ao seu povo no passado
(2 Cor 1,20). A fidelidade ao Evangelho deve levar a uma
fidelidade maior ao nosso povo.
4. “É CRISTO
QUE VIVE EM MIM”: MATURAÇÃO
A conversão se aprofunda. Não temos informação
sobre a conversão prolongada de Paulo, que se estendeu
por treze anos. São treze anos de silêncio.
a) “ELE ME AMOU E
SE ENTREGOU POR MIM” (Gl 2,20)
A leitura da Bíblia ajudou Paulo a descobrir o significado
da morte de Jesus. Na época do cativeiro quando o
povo inteiro caiu na pobreza, nasceu a esperança:
Deus vai ser o nosso parente mais próximo. Foi essa
esperança antiga do seu povo que Paulo descobriu
o sentido da morte de Jesus. Esta Boa Notícia modificou
por completo a vida de Paulo.
b) “VIVO, MAS JÁ
NÃO SOU EU QUE VIVO; É CRISTO QUE VIVE EM
MIM” (Gl 2,20)
A experiência do amor levou Paulo a desocupar o barraco
da sua vida e dizer a Jesus: “PODE ENTRAR E MORAR
AQUI DENTRO. O SENHOR É QUEM MANDA”.
c) “SE MORREMOS COM
CRISTO, TAMBÉM VIVEREMOS COM ELE” (Rm 6,8)
O ideal do cristão é ser como Jesus. Quem
morre como Jesus, doando sua vida pelos outros, também
participará com Jesus na vitória sobre a morte.
Essa experiência da morte e ressurreição
fez de Paulo um homem livre: venceu nele o medo da morte
(Rm 6-3-7), deu sentido à sua renúncia (Fl
3,7-8).
d) “QUANDO ME SINTO
FRACO, AI É QUE SOU FRACO” (2 Cor 12,10)
Paulo sentiu suas limitações e experimentou
o que Jesus dizia: “SEM MIM NADA PODEIS FAZER”
(Jo 15,5; 2 Cor 11,30; 12,10). Mesmo com as limitações
sentia uma poderosa energia que o ajudava na luta e na caminhada.
Pedia a Deus que os cristãos tomassem consciência
“da extraordinária grandeza desse poder que
atuava neles através da fé” (Ef 1,17-20)
e) “ESTEJAM SEMPRE
ALEGRES, REZEM SEM CESSAR” (1 Ts 5,16-17)
Através da oração constante, Paulo
vive em contato permanente com essa força da ressurreição
que o invade.
f) “FÉ, ESPERANÇA
E AMOR. O MAIOR DOS TRÊS É O AMOR” (1
Cor 13,13)
Sem o amor não somos nada. O amor é um dom.
Concluindo
Em treze anos, Paulo passou em: Damasco, Arábia (3
anos), Jerusalém, Tarso, Antioquia.
Neste período:
* participa da vida de comunidade;
* deve ter anunciado o Evangelho;
* contribuiu para a expansão
e o crescimento das comunidades da Síria na Arábia
e na Cilícia;
* deve ter exercido sua profissão
para ter o que comer e com o que se vestir;
* o foco deste período
está na nova experiência de vida a partir de
Jesus.